Esta minha constante atenção às publicações da Sra. Deputada Inês Sousa Real podia ser um caso de amor platónico, mas é só interesse. Interesse em pôr um pouco de verdade nas afirmações populistas da Sra .Deputada do PAN.
Numa publicação de 4 de Janeiro, assim a modo de perspectiva do ano novo, afirmava a referida Senhora o seguinte:
“ Subiram o café, o pão, o leite vegetal, as portagens, a água, a luz, o gás e os museus (…). Mas baixaram o IVA para assistir às touradas.” Afirmação que rematou com a legenda “ Injustiça Social “ e posteriormente comentou como “Injustiça Social numa praça de touros perto de si. Tortura animal numa tourada qualquer.”
Não, não é uma injustiça social, é a resolução de uma injustiça cultural que já durava há anos. Da mesma forma que todos devemos ter acesso ao pão que nos alimenta o corpo em igualdade de circunstâncias, também devemos ter essa igualdade de circunstâncias no acesso à cultura que nos alimenta a alma. E se nas opções da nossa alimentação é tão legítimo gostar de pão de centeio como de pão de trigo, nas nossas opções culturais é tão legítimo gostar de teatro como de corridas de touros. Por isso, ter bilhete para um determinado espectáculo com IVA a 23% quando todos os restantes pagam 6%, era uma enorme injustiça cultural.
Sra. Deputada, se quer fazer valer os seus pontos de vista, use argumentos revestidos de verdade. Se quer usar a palavra injustiça faça o favor de começar
a praticar essa opção em causa própria. Não se combatem injustiças com pressupostos injustos.
E é injusta a proposta, entusiasticamente defendida por V Exa, que é preciso retirar os animais de estimação aos sem abrigo, numa defesa acérrima dos animais sem considerar minimamente as pessoas.
E é injusta a tese, também defendida há muito no seu partido, que é preciso criar um hospital público para os animais de companhia, quando todos os detentores de animais, tanto os de estimação mas principalmente os que criamos para entrarem na cadeia alimentar, pagamos do nosso bolso veterinários, medicamentos, saneamentos e todos os procedimentos necessários ao bem estar animal e, nomeadamente, a bem da saúde pública.
E é injusta a tentativa de condicionar uma dieta à sua medida impondo dias de menus exclusivamente vegetarianos.
E é injusta a vociferação de palavras de ordem a propósito da redução da pegada ecológica e usar na alimentação coisas como a soja, produzida lá para onde o diabo perdeu as botas e que deixam um rasto de poluição até cá chegar.
E é injusta a manipulação de fracas cabeças plantando a ideia de que a salvação do planeta está na conversão ao vegetarianismo, mas alimentam os cães com rações carregadas de produtos de origem animal, como se a vaca abatida para eu comer um bife tivesse mais estômagos do que a morta para fazer biscoitos para cão.
E é injusta, muito injusta, essa batalha contra o setor tauromáquico, onde, para além da valorização da identidade de um povo, estão assegurados tantos postos de trabalho e onde o estado, que lhe paga o ordenado de deputada, vai buscar tanta receita!!
Sra. Deputada, a subida do preço do pão é fruto de uma conjuntura económica. A descida do IVA dos bilhetes para espectáculos tauromáquicos é fruto da conjuntura legal para reparação de uma discriminação.
Meter no mesmo saco dois assuntos tão diferentes é uma injustiça intelectual!!!!
Fernanda Maria Mouzinho






