Iniciou-se ontem, cerca das nove e meia da manhã o “grande evento internacional onde profissionais e aficionados discutem e pensam a Tauromaquia”.
“A união entre todos os países taurinos em defesa da tauromaquia, o toiro do futuro e o novo design dos utensílios da lide foram os temas debatidos na primeira jornada do IV Fórum Mundial da Cultura Taurina, que decorre na Ilha Terceira, nos Açores.”
A “Sessão de Abertura” realizou-se integralmente no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo, local onde antes existia a antiga Praça de Toiros da capital terceirense. Começou com uma “conferência do arquiteto José Parreira (membro da organização), que refletiu profundamente sobre o contexto social em que se insere atualmente a festa dos toiros”. “Seguidamente, foi a vez das autoridades patrocinadoras do evento tomarem a palavra. Os presidentes das câmaras de Angra do Heroísmo e da Praia da Vitória, Álamo Meneses e Vânia Ferreira, juntamente com o Secretário Regional da Agricultura e Alimentação do Governo dos Açores, António Ventura, em representação do Presidente do Governo Regional dos Açores, destacaram a importância cultural e económica da tauromaquia nesta região, sublinhando também o seu profundo enraizamento popular, que impõe aos políticos a responsabilidade de preservar os seus valores.” António Ventura referiu ainda a possibilidade de o tema “Sorte de Varas” ser levado novamente à Assembleia Regional dos Açores! Note que este tema foi levado ao Parlamento Regional em 2002, tendo sido chumbado em 2009.
Este, que é neste momento o maior foco de atenção dos aficionados, contou, “após a abertura oficial, com os representantes das entidades de defesa da tauromaquia de oito países taurinos, que debateram, sob a moderação do jornalista Maurício Vale, a necessária unidade dos estamentos taurinos mundiais para “dar uma resposta global aos ataques globalistas contra esta cultura”, como afirmou François Zumbiehl, do Observatório das Culturas Taurinas de França.
Na mesma linha, Salvador Arias, da Tauromaquia Mexicana; Francisco Macedo, da Protoiro; Manolo Zapata, da Associação Venezuelana de Tauromaquia; Gonzalo Sanz de Santamaría, da Corporación Libertad Cultural da Colômbia; Juan Carlos Solines, da União de Espetáculos Taurinos do Equador e Pablo Gómez de Barbieri, da Associação Cultural Taurina do Peru, defenderam que essa união deve reivindicar a diversidade cultural protegida pela UNESCO.
Por outro lado, Borja Cardelús, da Fundação do Touro de Lídia, de Espanha, apontou que essa união “é hoje mais desejável do que possível”, uma vez que para alcançá-la é necessária uma força maior capaz de contrariar os 800 milhões de euros anuais que, segundo ele, as associações animalistas internacionais investem em campanhas contra a tauromaquia.”
A tarde iniciou-se com “uma exposição do veterinário Julio Fernández, que demonstrou, através de estudos científicos extensos sobre a fisiologia do toiro bravo, que este animal apresenta um equilíbrio neuro-hormonal notável durante a lide, permitindo-lhe superar a dor, bloquear o stress e intensificar a sua agressividade, descartando qualquer possibilidade de sofrimento.” O veterinário referiu ainda que o toiro perde menos sangue (percentualmente) na lide, do que uma pessoa quando doa sangue.
“Posteriormente, num vídeo esclarecedor, foram apresentadas as provas de novos utensílios de lide, desenvolvidos por Fernández em conjunto com o matador retirado Manolo Sales. Estes novos equipamentos, como puyas, estoques, descabellos e bandarilhas, visam, nos próximos anos, melhorar a eficácia das sortes e a segurança dos profissionais, mantendo a autenticidade do espetáculo.”
A “Mesa-Redonda”, que encerrou a jornada de ontem, “centrou-se no tema do “toiro do futuro”, com a moderação do jornalista Paco Aguado e a participação dos ganaderos Joaquim Grave, Javier Núñez, Verónica Gutiérrez e do matador de toiros Miguel Ángel Perera. Grave afirmou que “o toiro do futuro já está no campo”, uma opinião partilhada pelos demais participantes, que destacaram o trabalho realizado pelos ganaderos nas últimas duas décadas. Segundo eles, foi possível criar “um toiro mais completo e bravo do que nunca”, definindo a bravura como uma entrega total aos enganos, resultado de melhorias genéticas específicas na morfologia e no comportamento do animal.” (Foi notada a ausência de Álvaro Núñez del Cuvillo durante a tarde de ontem.)
A noite continuou num jantar que teve como local o sítio onde Matelito toureou há 130 anos, e onde, passados 100 anos Tomás Campuzano e Mario Miguel (Matador de Toiros Terceirense) também tourearam. Contou com uma ementa de tradição muito terceirense, sopa, cozido e alcatra, e, é claro, arroz doce.
Os eventos do Fórum Mundial da Cultura Taurina continuam hoje, no Auditório do Ramo Grande, na Praia da Vitória.
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Agradecimentos :
Forum Mundial da Cultura Taurina,
Tertúlia Tauromáquica Terceirense.






