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BRUNO ROCHA – “Ganadarias da Nossa Terra”

O Giribita Taurino

Ser ganadero na Ilha Terceira é um fenómeno que ultrapassa a razão! São
ambições sociais, muitas vezes alimentadas apenas e só por paixão, que leva
a que seja cada vez mais uma atividade difícil. A componente afetiva enorme,
centrada no sacrifício no trabalho árduo, na perseverança, na exposição social
e mediática, onde lidar com a inveja, é um dom de quem se propõe a esta
atividade. A verdade é que nem todos têm este dom e muitos dos nossos
ganaderos, mesmos alguns dos mais antigos não são bafejados com esta
virtude.
Dizem os espanhóis que ser ganadero é a ruína mais bonita do mundo,
expressão curiosa onde o paralelismo entre a felicidade de ver e criar um
animal belíssimo no campo, nem sempre é acompanhado pelo ressarcimento
financeiro. Se repararmos a manutenção deste tipo de bovinos, vital para a
nossa forma se ser e de sentir terceirense vai sendo mantida por um punhado
de gente que com sacrifício vai andando nesta maluqueira de criar toiros
bravos.
Seguindo pela Canada da Tailhinha abaixo a caminho da cunha histórica do
toiro bravo insular que é a freguesia da Terra-Chã, deparamo-nos de um lado e
outro pelo pastar calmo de um punhado de animais de estirpe brava, em
pastagens mais ou menos planas, antes solar de uma exploração de bovinos
de leite que hoje deu lugar a um lugar de criação do toiro bravo. São umas
quantas cabeças que dão azo à paixão de Bruno Rocha, membro da família
dos conhecidos Giribitas do Posto Santo, que com a sua ponderada loucura vai
juntando cabeças de gado que ele, apoiado pela sua esposa e irmãos, vai
trilhando no difícil mundo da criação de uma casa de bravo.
Bruno Rocha, já esteve com os seus animais em touradas à corda, com
algumas notas de destaque e já teve uma concorrida ferra no passado dia 1 de
novembro de 2024, isto apesar do mau tempo que se fez sentir… o mote está
lançado e o vício está metido dentro de casa deste jovem ganadero, que mesmo parco em palavras consegue perceber que há uma ideia de toiro para a
tourada à corda que o mesmo percebe. Bruno Rocha entende do trato de
bovinos, foi criado com isso, cresceu na exploração familiar e por isso é com
destreza e eloquência que percebe o que os seus animais necessitam.
Bruno José Sousa Rocha começa com 2 animais provenientes de Gil Rocha e
de Genoveva Tristão. A maior parte dos animais que possui tem o ferro de
Genoveva Tristão, mas também os possui marcados com o ferro de Manuel
João Rocha, António Lúcio e da extinta ganaderia de João Quinteiro da Ladeira
Grande, efetivos esses que acabaram dispersos em diversas casas de que
Bruno Rocha com afinco tem vindo a juntar com a finalidade de obter a sua
própria linha de gado bravo.
O gosto pela festa brava veio desde muito miúdo onde tudo se centrava nas
brincadeiras com toiros, mais tarde foi muito próximo do saudoso ganadero e
pastor Gabriel Ourique, casa que ajudou e figura pelo qual nutria muita
simpatia. Findada a exploração de gado de leite da família a opção foi pelo
gado bravo, exatamente por essa paixão também contagiar o pai do ganadero
de forma intensa. Quando perguntado qual o rumo que quer para a sua casa
de bravo é perentório e com jeito particular em afirmar “ que agora é para o
caminho com eles” com destemor e de forma objetiva esperando os melhores
momentos e não ponderando os menos bons. O crescimento da ganaderia
está nos seus planos, fazendo uma seleção no seu efetivo, tentando impor a
qualidade necessária para que corra o tipo de toiro que sempre sonhou. A sua
meta é que possa ter mais terreno dedicado aos seus toiros, preparando-se
para, à medida que cresça o efetivo, os mesmos possam também pastar na
zona de várzea dos Tabuleiros, mais próximos do interior da ilha onde o solar
desta raça é mais adequado do que junto às urbanizações.
Neste momento o efetivo passa já largamente a meia centena de animais, num
crescimento pleno, onde os jovens amigos, alguns do seu tempo de escola,
são seus pastores e homens de confiança para as difíceis tarefas de maneio do
gado bravo.
Recentemente foi notícia a aquisição que Bruno Giribita, fez de vários toiros da
ganaderia das Fontinhas de José Mendes, que através de intermediário
chegaram às terras do Posto Santo e lá aguardam o dia 1 de maio para nos
arraiais defenderem as cores da ganaderia das gaiolas laranja e pretas. A
divisa destas cores escolheu-a para ser diferente de toda a gente, não
atribuindo significado especial às cores em questão
Com um olhar firme no futuro e raízes fundas na paixão pela Festa Brava, esta
jovem ganadaria nasce sui generis – distinta na forma e na alma – apostando
numa criação criteriosa, onde o respeito pelo toiro, pelo campo parecem uma
realidade.
Bruno Rocha, nome bem conhecido nos círculos da lavoura terceirense,
transforma agora sonho em ação. Os seus animais começam a dar os primeiros passos nos arraiais da ilha. Uma ganadaria que, apesar de recente,
já carrega o peso da crítica e de um mundo taurino altamente competitivo.
A marca Giribita era já conhecida – estende-se também ao mundo dos toiros,
uma promessa jovem onde só o tempo o dirá se de sucesso ou não.
Nestes campos verdes, onde o mar nunca está longe, caminham agora os
primeiros toiros de uma linhagem que promete marcar o seu espaço. O ferro de
Bruno Rocha é símbolo de paixão. E cada animal que carrega esse sinal no
seu corpo, leva consigo as ilusões do seu proprietário, baseadas no espetáculo
e emoção na tourada à corda.
E como todas as histórias, esta também começa com coragem e de forma
surpreendente. É uma nova página escrita com suor e sonho.
É bravura que nasce. É tauromaquia viva. É Açores com alma.

 

Por: José Paulo Lima, ( Médico Veterinário, Doutor em Produção animal )

Fotografias por: Paulo Gil

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