Este fim-de-semana a alma feminina que fez nascer este projeto fez anos.
Felicitei-a no correspondente dia, mas, apetece-me voltar ao tema.
Não creio que seja necessário voltar a dar-lhe os parabéns pelos seus vinte anos, mas acredito que é perfeitamente justificada uma abordagem a esta postura de uma jovem que vejo como um excelente exemplo de dinamismo e espírito de missão.
Quando chegamos a uma certa idade, de forma praticamente transversal, caímos na tentação da comparação e lá nos sai a afirmação de que no nosso tempo é que era!!?!!!
A verdade é que na nossa juventude houve de tudo e agora também o há.
Mas não é menos verdade que as actuais gerações de jovens estão a viver numa época em que o mundo lhes é apresentado à distância de um clique e vivem como se todas as vertentes da vida só existissem na dimensão do que é táctil num ecrã.
Criticamos a apatia perante o mundo real, que a maioria até desconhece, e vivemos em pânico com o futuro de um conjunto de pessoas cuja vida começa e acaba no que cabe no pequeno rectângulo do telemóvel.
Mas quando conhecemos seres humanos como a Rita ganhamos tranquilidade no presente e esperança no futuro.
Apesar de ter vivido ainda só duas décadas, já mostrou ao que vem e já se posicionou no patamar dos que fazem da existência bom uso.
Este projeto, o Bien, é disso um bom exemplo. Não ficou sentada a reclamar da vida, deitou mãos ao desafio e aglutinou esforços para fazer do sonho realidade.
Se somos críticos com os que vivem sentados à sombra da árvore à espera que o fruto lhes caia no colo, também é de alguma justiça realçar os que sobem, às vezes com muita esforço, à árvore para colher o fruto, e que depois descem e continuam a cuidar a árvore para assegurar frutos nas épocas seguintes.
A Rita é uma jovem que tem família, amigos, vida académica e tudo o que é normal na sua idade, mas faz uma gestão do seu tempo por forma a dar conteúdo ao seu espírito altruísta, como é o caso da Missão País, e dar forma a sua dedicação à Festa Brava, como é o caso do órgão de comunicação que é o Bien.
São apenas dois exemplos mas que, de forma breve, ilustram este seu posicionamento onde a intenção se faz acção.
A Festa Brava só terá futuro se as gerações jovens assegurarem a sua continuidade. E este papel de perpetuação do sector passa por jovens como a Rita que colocam o melhor de si ao serviço do mundo dos touros.
Obviamente não é caso único. Felizmente há outros exemplos. Mas sublinhar e reconhecer o desempenho destes jovens, que querem ter um papel activo dando o seu contributo de forma construtiva, só nos fica bem.
A Rita podia planear os fins-de-semana com momentos de lazer com os amigos ou de convívio com a família. Podia até aproveitar o sábado para estudar e o domingo para descansar. Mas opta por organizar a agenda de maneira a andar de Praça em Praça, com pó ou com lama, carregada com o material que lhe permite captar imagens, registar momentos, ser parte da engrenagem…construir.
A Rita podia sair com os colegas de curso ao fim de um dia de aulas e descontrair, mas opta para dedicar diariamente tempo a este projeto, estar atenta, publicar, divulgar… construir.
A Rita podia ser só mais uma cara bonita que a “_afición_” leva à Praça, mas escolheu ter o rosto parcialmente escondido atrás de uma máquina fotográfica onde armazena detalhes e acontecimentos para memória futura… para construir.
A minha geração, que tantas vezes apontamos o dedo aos mais novos, devemos também ter a capacidade de reconhecer e enaltecer estes exemplos em seres humanos que com poucos anos de vida já contribuíram mais para a Festa que muito boa gente que por cá anda há muitas décadas!!
À Rita, e a todos os jovens como a Rita, o meu reconhecimento e a minha gratidão.
Sejam felizes e continuem a sonhar.
Texto por: Fernanda Maria Mouzinho
Fotografia por: Carolina Duarte






