Às vezes acho que desafia o mundo, a força de gravidade, a sina que alguém lhe leu. Às vezes acho que não é deste mundo de vaidades onde o vejo agir sempre com a simplicidade dos nobres de espírito. Às vezes acho que este mundo não seria o mesmo sem a sua total entrega. Muitas vezes o admiro na postura discreta e atenta atitude.
Há anos que observo e tento ler a dimensão do olhar de tão pequenos olhos…
É um Bandarilheiro singular. É verdade que não há duas pessoas iguais, mas, dentro das características transversais aos seus pares, é um Bandarilheiro singular.
Entra em Praça e aos primeiros passos das cortesias faz uma leitura do público presente. Ocupa a sua posição com a firmeza de uma parada militar. Terminadas as cortesias saúda com a postura de vénia pelo traje que enverga e total respeito pela hierarquia presente.
Ao “despir” o capote de passeio fica exposto um corpo que nos ilude numa aparente fragilidade.
Do primeiro ao último minuto da presença de um touro na arena, seja “seu” ou de qualquer outro, segue com o olhar cada movimento como quem estuda a matéria para um teste futuro.
Há muito que me fascina o olhar de garra num rosto de expressões vincadas.
Há muito que admiro este estar simples de enorme dedicação.
Cada interveniente da Festa aporta o seu contributo. Ao Curro temos a agradecer que, corrida após corrida, aporte entrega com genica, generosidade no olhar, muito conhecimento empírico, centelha sem vaidade, profissionalismo com discrição.
Que a temporada de 2025 me dê a oportunidade de o ver em Praça muitas vezes e possa desfrutar do seu desempenho com cunho singular, tendo o privilégio de admirar a sua desenvoltura em que a única ostentação é a de fazer bem feito o que lhe compete.
Fernanda Maria Mouzinho






