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Angra do Heroísmo e a Marca da Tauromaquia

Em recente entrevista do programa do Rádio Clube de Angra Tauromaquia Viva o, Dr.
Guido Teles, demonstrou que o respeito pela escolha cultural dos cidadãos se pode
fazer muito para além dos meros poderes executivos, abordando de forma lata e
concreta aquilo que incomoda e que une no que concerne à festa de toiros. Picaroto
de nascença e infância, foi cedo que começou a viver e a sentir as rotinas
terceirenses, entre as quais a tauromaquia, através das touradas à corda e de praça.
Apercebendo-se rapidamente da presença que a tauromaquia tem na vida nos
terceirenses, com uma adaptação precoce, integrando-se na vida taurina de forma
mais ou menos rotineira. Sem medos Guido Teles, falou que é uma atividade que
gosta, sobretudo pelo contexto social que a festa brava cria, com elemento da
confraternização de forma bastante presente.

A evolução da tauromaquia pelos angrenses tem sido modelada pela visão destes ao
longo dos anos, adaptando-se aquilo que são os pontos fundamentais da vivência em
sociedade. Para o jurista vice-presidente da edilidade angrense, a festa brava foi-se
adaptando às novas exigências de regulamentação legal, de bem-estar animal,
fiscalização ambiental e cívica, evolução esta que depende de muitos fatores que
intervêm na tradição taurina sem a afetar em demasia.
É importante que se ouça o poder político em temas que não sendo fundamentais para
o tecido económico e estrutural da comunidade angrense, acaba por ter uma
abrangência generalizada e é capaz de mexer com a vida de toda a gente. O toiro é
um ordenador social pois anula estratificações sociais, é um defensor ecológico, cria
um conceito de comunidade e faz circular divisas económicas num meio pequeno
como nosso e essas ideias foram reconhecidas na entrevista concedida pelo vice-
presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo aos microfones da estação de
rádio quase octogenária.
A regulamentação camarária angrense remonta a 1622 durante os festejos de
canonização de S. Francisco Xavier e Sto. Inácio de Loyola, registo esse que confere
a esta entidade competência na orientação, dinamização e controlo desta forma de
diversão popular. Tanto urbana como rural a tauromaquia em Angra do Heroísmo, é
um fenómeno lato, que nos entra quase pela casa adentro, envolvendo a vida de
todos: dos que gostam e dos que não.

A festa brava é um tema profundamente enraizado na história e na cultura de Angra
do Heroísmo. A tauromaquia, uma tradição que, ao longo de gerações, tem sido uma
das atividades culturais mais marcantes não só na cidade de Angra, mas em toda a
região. Mais do que um simples espetáculo; é um evento que representa um elo de
união, identidade e celebração da nossa história. Os momentos principais dos
primórdios das festas maiores da cidade sempre estiveram ao redor da festa de toiros,
sendo elemento basilar das mesmas.
Mesmo com o crescimento da corrente anti taurina internacional, as Sanjoaninas
continuam a contar com o toiro e o divertimento à volta dele como elemento central.
Obrigando quase a que quem seja decisor político envolvido nesta organização a
preservar esta forma cultural impregnada muito para além da tradição.
Durante este evento, as touradas e outras manifestações taurinas atraem milhares de
visitantes, reforçando o sentimento de pertença e orgulho local. Não podemos falar da
cidade de Angra sem pensar nas suas festas e na sua ligação com a tauromaquia, que
é, de certo modo, um símbolo da nossa tradição e da nossa vivência coletiva.
A Feira de S. João é um elemento fundamental das Sanjoaninas, acrescendo que as
touradas à corda e todos os festejos populares, são momentos indissociáveis do que é
a própria festa, influenciando a ambiência que se sente nas ruas da cidade durante
este tempo de celebração. São marchas, filarmónicas, tascas e outras vertentes com
forte influência taurina.
O papel da emigração foi um dos temas mais presentes, uma vez que a importância
da diáspora nas festas Sanjoaninas é um papel cuidado, nomeadamente inserindo-a
em vários pontos festivos de onde a tauromaquia é abrangida. A inclusão de grupos
de forcados amadores da califórnia é disso exemplo, garantindo a presença destes até
ao ano de 2027. Esta inclusão foi, segundo os entrevistados, um dos pressupostos de
atribuição do apoio da Câmara Municipal à Tertúlia Tauromáquica Terceirense para a
organização da Feira.
A continua integração das figuras taurinas locais na Feira de S. João, mantendo-a em
primeiríssimo plano a nível artístico nacional, foram na opinião de Guido Teles, as
principais linhas mestras que orientaram este executivo. Tanto os nossos cavaleiros,
forcados e ganaderos, têm de ser apoiados e incluídos na feira dando importância
aquilo que se faz na arena da Ilha Terceira, conferindo atrativo extra.
Com a atualização dos encargos da sociedade proprietária da praça, relacionados
com o aumento de custos de manutenção do edifício praça de toiros, a edilidade
respondeu com o aumento do apoio à entidade organizadora da Feira de S. João,
tentando colmatar algum desequilíbrio financeiro daí adveniente.
A Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, ao longo do tempo, tem sido uma das
principais instituições responsáveis pela preservação e promoção desta tradição. Não
só apoia a realização dos eventos taurinos, mas também tem promovido o diálogo
constante com as várias entidades envolvidas nesta prática, como as associações
taurinas, os ganadeiros, os toureiros e o público em geral. A Câmara tem um papel
fundamental na organização e no apoio logístico que garante o sucesso das
festividades, ao mesmo tempo que respeita as diferentes sensibilidades da população.
É também importante destacar o trabalho de mediação da Câmara Municipal. A
tauromaquia, como sabemos, é um tema que gera diferentes opiniões na sociedade.
Enquanto para muitos é uma celebração cultural, para outros é uma prática polémica.
Nesse sentido, o executivo camarário tem tentado sempre encontrar o equilíbrio

necessário, ouvindo as diversas partes e promovendo o respeito mútuo. Este esforço
em unir e respeitar as diferentes perspetivas tem sido um dos maiores desafios da
gestão municipal nos últimos anos. A verdade é que Guido Teles abordou sem medos
este tema, expondo que um dos papeis da edilidade é exatamente o respeito pela
opinião de todos, fazendo eco da forma democrática que os elegeu.
Além do seu valor cultural, a tauromaquia desempenha também um papel importante
no desenvolvimento económico e social do concelho. As festividades taurinas, para
além de atraírem turistas, geram uma série de atividades económicas, nomeadamente
no setor do comércio, restauração e hotelaria. Ao longo dos anos, a Câmara tem
procurado reforçar este impacto, promovendo a tauromaquia não só como uma
tradição, mas também como uma atividade que contribui para a dinamização da
economia local.
Como produto turístico a tauromaquia, para Guido Teles, não se pode constituir como
o principal produto turístico, mas sim direcionado a nichos ou incluído numa
experiência global que capta atenção sobre a Ilha Terceira. A 10 de maio afirmou na
rádio que quem nos visita vem também á procura do turismo sustentável, da natureza,
de hábitos de vida saudáveis e que de facto a criação do toiro bravo e todo o respeito
ecológico que a carateriza podem ser um dos pontos chave para a inclusão da festa
brava enquanto chamariz turístico. A experiência turística, junta a tauromaquia, á
nossa etnografia, gastronomia e vivência social, dependendo dos mercados onde se
expõe como produto ou chamariz para visitação do concelho, da ilha e dos Açores.
Com a aproximação do fim de mais um mandato da atual Câmara Municipal, surge a
reflexão sobre as orientações deixadas na preservação da tauromaquia e os desafios
que se colocam para o futuro. Como garantir a continuidade de uma tradição tão
importante, respeitando, ao mesmo tempo, as evoluções sociais e culturais que
marcam o nosso tempo? O que poderá ser feito para garantir que as novas gerações
se mantenham ligadas a esta prática, sem perder de vista os valores
contemporâneos?
Partilhar a sua visão sobre o papel da tauromaquia no concelho, os desafios que
enfrentaram ao longo do mandato e o trabalho realizado para garantir que esta
tradição se mantenha viva e respeitada, enquanto se promove o diálogo entre todos os
cidadãos, foi um dos temas abordados por Guido Teles em representação do
executivo angrense, numa conversa interessante e que respaldou a tauromaquia e os
seus intervenientes.
Considerado o município mais taurino de Portugal, Angra do heroísmo vai palmilhando
este epíteto de forma contemporânea, minimizando os impactos negativos que
possam ter posições externas adversas à tauromaquia. A articulação entre parceiros
moderados pela Câmara Municipal, faz com que se respire um ar de certa
tranquilidade no que concerne à tradição taurina angrense bem expressada nas
palavras do seu vice-presidente numa interessante entrevista, emitida no passado dia
10 de maio no Rádio Clube de Angra. Quem quer que seja que tenha no futuro a
responsabilidade de dirigir os destinos da cidade, deve ter bem presente a
responsabilidade, enquanto representante da população, de defender a cultura taurina,
tendo a sensibilidade de perceber que há que estabelecer pontes entre instituições, e
há diferentes sensibilidades que podem ser adaptadas para que se defenda a festa de
toiros.

Texto: José Paulo Lima*

Fotografias: Paulo Gil

 

A tourada à corda como eixo principal da atividade taurina do
concelho.
A tauromaquia como atividade inclusiva da sociedade angrense!
Ideia bem patente no grupo de forcados da T.T.T.
Aposta nos artistas locais como base da Feira de S. João
Dr. Guido Teles, Vice-Presidente da CMAH no RCA para gravação
da entrevista
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