Como quem abraça um conjunto de cabrestos e lhes coordena os movimentos, um Campino faz de uma vara comprida um cercado.
Como quem faz uso de uma varinha de condão, um Campino faz a magia de dominar um conjunto de animais.
Nesta forma artificial de criar uma extensão do seu corpo, torna efectivo o seu poder conduzir o gado.
Mais do que um simples pampilho, é um objecto que faz cair o pano entre um acto e o outro.
Mais do que um mera aguilhada, é um instrumento de trabalho que estende o braço do Campino.
Mais do que um pedaço de madeira, é um guia que define um percurso.
Do bom uso que o Campino dá a um pampilho depende, na maioria das vezes, o bom andamento de uma Corrida de Touros.
Como uma batuta que um maestro usa para dirigir a sua orquestra, a aguilhada marca o compasso e define a dinâmica do espetáculo.
Injustamente, na maioria das vezes, só damos pela sua presença quando o trabalho se demora e nos impacientamos com quebra de ritmo. Mas é do saber e da arte de quem manuseia com destreza um pampilho que depende a célere recolha de um touro já lidado.
Um pampilho, uma aguilhada, uma mera vara comprida, dão ao Campino conhecedor do seu ofício o poder de conduzir um conjunto de animais.
Da arte e conhecimento de um Campino depende o bom desenvolvimento dos acontecimentos.
Como quem abraça o que faz….
Fernanda Maria Mouzinho






