spot_img
spot_imgspot_img
InícioAlçaráSerões de Província"É preciso plantar o futuro!"

“É preciso plantar o futuro!”

Se os aficionados fossem tortulhos nasciam sem ser plantados, mas dá-se o caso que não o são….
As regras do jogo mudaram sem nos perguntarem opinião, mas se calhar temos que as aprender para sobreviver nesta selva a que chamam globalização.
O tempo em que só haviam dois canais de televisão e a família se reunia em frente ao ecrã para ver as transmissões de Corridas, que aconteciam com frequência ao longo de cada temporada, acabou. Os canais são às centenas, as famílias já não usam o ecrã como pretexto para usufruírem do mesmo espaço, e as TVs portuguesas deixaram-se comprar por grupos de interesses e acabaram com a transmissões de Corridas de touros. Ou seja, este é chão que já deu uvas.
Agora, para criar nos mais pequenos o gosto e o hábito de ir às Corridas é preciso levar os miúdos às Praças, ao campo, às festas populares… à Festa Brava.
Mas este plantio é bastante mais complexo do que pode parecer à primeira vista.
Aos filhos dos aficionados as portas são abertas pelos pais num processo natural de transmissão de conhecimentos, saberes, tradições, de valores e rituais. Os restantes só um golpe de sorte os leva a descobrir tudo o que existe no mundo dos touros.
Mas tanto uns como outros merecem uma postura do sector que olhe como o futuro que são. Em tudo e aqui também.
Uma criança a pagar um bilhete de adulto limita a sua presença porque baliza as oportunidades em quem o pode pagar.
Obviamente que as Empresas precisam rentabilizar o espaço e um miúdo de dez anos ocupa um lugar como um adulto. Mas o lugar que o miúdo pequeno ocupa agora é o garante do preenchimento desse espaço no futuro.
Não podemos acreditar que vamos fomentar a aficion se não houver um investimento nesse sentido. Não podemos acreditar na utopia de uma futura colheita sem que haja uma prévia sementeira no presente. Não podemos deixar nas mãos do acaso o despertar do interesse dos mais novos por esta arte vasta e ampla que é todo o mundo da Festa Brava.
Urge olhar o cenário actual e agir de acordo com a regras do jogo, que não escolhemos, mas do qual não podemos ficar meros espectadores.
Que os miúdos não paguem ou paguem meio bilhete, consoante o escalão etário, não pode ser visto como prejuízo mas sim como um investimento.
Que os pequenos estejam onde tudo acontece não pode estar espartilhado pelas condições económicas da família a que pertencem.
Nos touros, como em tudo, os jovens são o ponto de partida para a continuidade.
Não olhar com frontalidade para este tema é tapar o sol com a peneira e acreditar que, por magia, eles vão lá estar dentro de dez anos a pagar bilhete e aplaudir de pé.
Hoje ainda temos com frequência os pequenos com os seus sorrisos generosos a dar alegria à Festa Brava, mas, com o enquadramento actual e todas as suas frentes contra o mundo dos touros, ou mudamos de postura ou estamos a condenar o sector a um futuro de Praças com meia casa mal medida…
Os tortulhos nascem sem ser plantados, mas os aficionados não são tortulhos…

Fernanda Maria Mouzinho

NOTÍCIAS RELACIONADAS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

spot_img
spot_img
spot_img
spot_img
SEGUE-NOSspot_img