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InícioAlçaráSerões de Província"Praças cheias versus cabeças vazias"

“Praças cheias versus cabeças vazias”

Mais uma vez no Expresso se escreve sobre os Touros e a Festa Brava. Mais uma vez o faz de forma tendenciosa e manipulando a verdade… a verdade dos números, a verdade da Festa, a verdade do Touro.
Esta falta de verdade é extremamente preocupante em todo o lado e mais ainda num jornal com esta abrangência que deveria ser fonte de informação fidedigna e imparcial.
O facto deste tema ser tema num jornal de âmbito nacional abre duas janelas para o horizonte do absurdo com tiques de perigo.
A primeira janela está aberta para o absurdo da ofensa às gentes dos Touros. Os valentes do costume dão rédea solta ao insulto, vomitam ódio, vociferam gritos de glória por um fim da Festa Brava que só eles avistam porque só eles acham que desejam. Ganham os fanáticos anti-taurinos, nestes efémeros momentos, uns minutos de palco para darem voz a umas quantas falas de uma peça de teatro, escrita por outros e com patrocínio de alguns grupos de interesses. Publicações, como esta do Expresso, são um alimento para os esfomeados de argumentos que sentem aqui algum revestimento e amparo para as suas teorias arrogantes onde só a verdade deles pode ser verdade.
A segunda janela está aberta para o absurdo dos perigos da ignorância. A ignorância é de facto um perigo. Quando um jornal que chega ao país todo vai dar voltas a um tema que é do país inteiro mas que só parte do país conhece na verdade, está com uma meia mentira a destruir uma enorme verdade e, por acréscimo, a contribuir para a desinformação. Num processo demasiado rápido, o nosso país perdeu a sua identidade rural. Num território, que, se bem organizado, se pode percorrer todo em pouco mais que um dia, não se percebe como em três ou quatro gerações se viu surgir uma sociedade completamente mutilada de raízes. Portugal é todo campo e não tem dimensão para estes estares de citadinos amorfos em lutas sem sentido. Como é que é possível alguém de Lisboa ser tão ignorante no que ao touro de lide concerne se lhe basta olhar para o lado e avista os campos de Vila Franca?! Como é que os ditos urbanos da nossa capital se tornaram tão desconhecedores do que é a ruralidade se, no mínimo, os seus avós eram da província?! Como é que a afamada globalização tem tanto poder que consegue manipular tantas cabeças que nem equacionam ouvir o contraditório?! Como é que os auto-intitulados defensores dos animais não conseguem estudar a lição, pelos mínimos que seja, para perceberem que estão a querer condenar à extinção uma espécie?! Como é que uma geração de jovens das cidades se tornou tão permeável à manipulação que alinha em gritos de ordem mesmo que isso venha a causar a completa desordem num sector que mexe a economia, gera riqueza e é garante de sobrevivência de tantas famílias?! Como é que um jornal à escala nacional, que deveria ser fonte de informação, se coloca nesta posição de quem põe lenha na fogueira que arde nas cabeças com conceitos de liberdade estranhos onde só há esse direito do lado deles?! Como é possível que não haja a noção que a desinformação é um processo destrutivo de uma sociedade?!

Abre-se, num jornal de grande tiragem, a janela para o mundo dos Touros, mas é pena que o faça com entreolhos, com um horizonte tão redutor e numa perspectiva tão pouco construtiva, com todo o perigo que isso representa numa sociedade que já devia ter aprendido a viver em liberdade….

Não, a Festa Brava não está em declínio.
Em declínio está um conjunto de gente que já perdeu a noção do que é um animal e o confunde com um ser humano.

Fernanda Maria Mouzinho

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