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“Do hijab ao tricórnio…”

Não há tema mais debatido por terras lusas nos últimos tempos que os povos vindos de outros países para habitar o nosso!!!
Não há dia que o tema não seja tema.
Vivemos com a rotina criada por um sector da sociedade que faz da defesa dos estrangeiros bandeira.
Ai de quem se atreva a questionar algum traço cultural de um estrangeiro que é logo rotulado de xenófobo. Mal de quem emita opinião pouco abonatória de alguém de outra tez que é logo racista.
Ao abrigo de uma suposta integração e inclusão anda um amplo leque de gente a vociferar palavras de ordem para defender a cultura e a identidade de quem está a chegar ao nosso território, leque de pessoas que, curiosamente, são as mesmas que gritam contra as nossas tradições.
Está muito bem defender quem chega, respeitar a sua forma de viver, aceitar as suas crenças, dar margem aos seus ideais, tudo isso seria de enaltecer se esses ditos defensores dos estrangeiros tivessem a mesma postura perante a nossa forma de viver, as nossas crenças e os nossos ideais!!
Sou extremamente tolerante, mas a minha tolerância esvai-se quando vejo alguém defender com unhas e dentes os traços de identidade cultural de um muçulmano que veio viver para Lisboa e a mesma pessoa não aceita a raiz de identidade cultural de um moço de Évora que nos tempos livres pega touros.
Tenho muita dificuldade em perceber como é que há gente que se vira do avesso para que sejam respeitados os valores espirituais de um paquistanês a residir em São Teotónio e não se digna a ter um pingo de consideração pelos rapazes do forcão em terras do Sabugal.
Não consigo entender como é que se grita tanto por inclusão e se pratica tanta exclusão!!!!
Talvez esteja na moda, assim como tique de alguma intelectualidade, ser pela integração de quem vem de fora, com toda a sua bagagem cultural e religiosa, e ao mesmo tempo pela rejeição de tudo o que é nosso, mesmo que isso signifique renegar as origens, séculos de história, hábitos ancestrais e tradições seculares.
Observando estes movimentos que têm uma inexplicável tendência para o caminhar em rebanho na defesa de causas escolhidas por outrem, fica-me a dúvida se dão uso à faculdade de raciocínio ou meramente seguem a moda.
Mas se considerarem a hipótese de pensar, nem que seja por breves instantes, vão concluir que defender outros povos é uma missão nobre, mas se o fizerem também em relação ao nosso país a nobreza do acto eleva-se ao expoente máximo da dignidade.
Que ponham o esforço máximo na luta que dá o direito a quem cá chega a manter o seu eixo de identidade será meritório, mas ter o mínimo de consideração e respeito pela raiz do nosso país também terá o seu mérito…
Não é fácil assimilar como temos tanta gente em Portugal que aceita, e até defende, o uso de hijab mas luta contra quem usa um tricórnio!!! Se é verdade que, concordando ou não, devemos aceitar quem usa o primeiro porque é uma característica de identidade de um povo, também é verdade que deveriam aceitar e respeitar quem usa o segundo porque faz parte de uma actividade enraizada na cultura portuguesa.
Defender os imigrantes respeitando as suas singularidades culturais é trabalhar para a inclusão. Atacar os portugueses nas nossas tradições e opções culturais é trabalhar para a segregação.

“Um povo que não ama e não preserva as suas formas de expressão mais autênticas jamais será um povo livre” – Plinio Marcos

Fernanda Maria Mouzinho

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