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InícioAlçaráSerões de Província"Moços que querem ser de Forcado."

“Moços que querem ser de Forcado.”

Se é verdade que vou às Corridas para ver tudo e a tudo dou importância, não é menos verdade que tenho especial predilecção pelos Moços de Forcado.
Li um destes dias que há uma arrelia qualquer com as pretensões de um Grupo de Moços de Abiul que querem dar os passos necessários para serem Forcados de pleno direito.
Sou pelo brio, pela presença, pelo respeito, pelos pergaminhos, pela postura, pela elevação do comportamento e apresentação dos Grupos de Forcados. É verdade que os Grupos mais antigos já percorreram mais caminho, já beberam em mais fontes de conhecimento, já têm o saber empírico mais estruturado, isso é inegável, mas acho que o valor necessário para citar um Touro, escudado só e apenas por uma jaqueta de ramagens, é exactamente o mesmo para um Moço de um Grupo com cem anos como para um outro pertencente ao Grupo com vinte cinco de existência, porque não creio que a investida do oponente seja condicionada pelas ramagens da jaqueta. E assim ninguém me faz respeitar uns mais que outros. Tenho as minhas preferências, por mil e uma razões, mas tenho o mesmo respeito por todos.
Para além do respeito que todos me merecem, também os vejo como viveiros de aficionados. Cada Moço de Forcado leva ao mundo dos touros um conjunto muito alargado de gente que vai desde os pais preocupados, aos avós que querem vivenciar todas as facetas dos netos, às namoradas e respectivas amigas inchadas de orgulho alheio, às tias e às primas e a todo um conjunto de amigos que querem ser testemunhas do valor de quem vai orgulhosamente exibir a sua jaqueta. Desperdiçar este conjunto é um absurdo.
Nos Grupos de Forcados a aficion é tratada com a proximidade que permite o conhecimento que vem da prática e tem nome próprio e apelido. Independentemente de virem a ser Figuras ou não, quem entra num Grupo valoriza tudo o que aprende sobre o Touro e toda a sua envolvência, pelo que constrói opinião com fundamento e assim se torna veículo de conhecimento. Desperdiçar este conjunto é um absurdo.

Sei que há critérios a cumprir e normas estabelecidas, mas não vivemos tempos de poder desperdiçar aficionados.

Tal como, quando perante um Touro, se usa da inteligência e sabedoria e se desfaz a pega porque se percebe que já se está em terrenos que vão dar asneira, também se poderá certamente desfazer um qualquer critério, que se revela pouco funcional, e refazer esse mesmo critério balizando as opções onde seja possível a existência de todos.
Como não conheço absolutamente ninguém neste conjunto de Moços de Abiul que se quer iniciar nesta tão nobre vocação, posso ter a minha opinião livre de qualquer conflito de interesses. Na verdade apenas me move o interesse pela divulgação e valorização da Festa Brava, e neste processo de enaltecer todo um sector todos contamos, os que sabem muito e os que querem aprender muito, os que têm um longo passado na Festa e os que estão agora a chegar.
Não há intervenientes menores. Há cartéis para determinadas Praças e públicos para determinados cartéis, mas, se bem pensado, há espaço para todos.

Não vivemos tempos que nos permitam desperdiçar aficionados.

Fernanda Maria Mouzinho

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