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SANJOANINAS 2025 – 1ª CORRIDA

Numa tarde morna, prevaleceu o toiro

A monumental Praça de Toiros Ilha Terceira acolheu ontem a primeira corrida da Feira de São João 2025, com o público a preencher quase por completo as bancadas. Uma verdadeira resposta dos aficionados, a demonstrarem que a ilha Terceira é uma verdadeira capital da Tauromaquia no meio do Atlântico.

Antes do início da corrida foi guardado um minuto de silêncio em memória do cavaleiro terceirense João Miranda falecido recentemente.
O cavaleiro Rui Salvador, um verdadeiro ídolo da tauromaquia terceirense, que durante anos apaixonou o público da ilha terceira com o seu toureio e a sua mestria, recebeu das mãos do presidente da tertúlia tauromáquica terceirense uma recordação da ilha Terceira alusiva à sua passagem pela ilha Terceira.
Saíram à praça três toiros da ganadaria Casa Agrícola José Albino Fernandes e três toiros de João Gaspar, cumpridores na generalidade a nível comportamental com destaque para o
segundo da ordem, 254 da ganadaria José Albino Fernandes, que demonstrou bravura,
prontidão na investida e a carregar no momento da reunião, transmitindo emoção. Destaque para os exemplares de João Gaspar, extraordinariamente bem rematados, dignos de uma Feira como as Sanjoaninas.
Abriu Praça o cavaleiro da terra, João Pamplona, que após receber o toiro com uma sorte de gaiola bem executa, desenrolou uma lide agradável perante o exemplar de João Gaspar que demonstrou alguma dificuldade, evidenciando alguma crença, mas que o cavaleiro conseguiu entender e escolher bem os terrenos da sua lide. Na ferragem curta esteve em bom plano, com destaque para o segundo e terceiro ferros curtos, a pisar os terrenos do toiro e a cravar de alto a baixo. Rematou a lide com um ferro de palmo.
O público reconheceu e aplaudiu calorosamente o cavaleiro da quinta do malhinha.
No segundo do seu lote, um Albino Fernandes que, não sendo extraordinário, permitiu bons momentos de toureio com destaque para o quarto ferro curto.
Joaquim Brito Paes, que se apresentou pela primeira vez à aficion terceirense, teve certamente o debute sonhado. Brindou aos microfones da praça, agradecendo ao público que preencheu as bancadas e arrancou um grande lide àquele que seria o toiro da corrida. Uma lide com emoção, com o cavaleiro aproveitar as características do seu oponente, que tinha uma investida pronta, sempre fixo na montada e transmitia no momento da reunião. Recebeu o toiro de forma exímia com dois grandes ferros compridos.
Na cravagem curta destaque para o 2 segundo ferro curto, com batida ao piton contrário e a chegar às bancadas e o último com muita verdade, a dar vantagem ao toiro, provocando a sua investida e com batida ao piton contrário, cravou um excelente ferro a rematar a sua lide. No segundo de seu lote, um bonito exemplar de João Gaspar, o cavaleiro desenrolou uma boa lide, não atingindo o nível da sua primeira atuação. Cravou dois bons ferros compridos e 4 ferros curtos, com destaque para o segundo e terceiro.
Tristão Ribeiro Telles não teve o dia sonhado, na sua primeira aparição como cavaleiro de
alternativa na Ilha Terceira. No primeiro de seu lote, um Albino Fernandes, por seu turno o
menos colaborante da corrida, foi recebido com uma sorte de gaiola.
Nos curtos, o cavaleiro da casa Ribeiro Telles esteve algo desacertado na cravagem, evidenciando alguma dificuldade nas distâncias nos dois primeiros ferros. Com a raça e a alegria que lhe é característica, conseguiu corrigir e cravou dois bons ferros curtos a rematar uma lide que foi crescendo de tom e terminou muito aplaudida nas bancadas.
No seu último, pertencente à ganadaria de João Gaspar, o cavaleiro não conseguiu impor o seu toureio, estando algo precipitado e desacertado na cravagem.
As pegas estavam a cargo dos Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, Ramo Grande  e Merced (EUA).
Pela Tertúlia Tauromáquica Terceirense pegou João Silva ao primeiro intento em tarde de
despedida das arenas. Uma boa pega, embora o momento da reunião não tenha sido o mais correto o forcado fechou-se com determinação e o grupo a coeso nas ajudas. Volta no final após despir a jaqueta. Pegou ainda Tomás Costa que após cinco tentativas foi dobrado por Heitor Dias, à sexta tentativa com o grupo a sesgo.
O Grupo de Forcados Amadores do Ramo Grande teve uma tarde difícil e inglória. No seu
primeiro toiro, que havia partido o piton esquerdo mesmo antes da pega e já com o grupo em praça, o diretor de corrida deu a oportunidade de se executar a pega recorrendo à sorte de cernelha. Após uma tentativa de cernelha falhada o toiro acabou por perder o piton esquerdo por completo e ser recolhido. Numa opinião pessoal e de defesa da festa, o toiro deveria ter sido recolhido no imediato, não tendo sido permitido qualquer tentativa. Pegou ainda Gonçalo Batista à quarta tentativa com o grupo ajudar mal nas primeiras tentativas.
Dos Estados Unidos da América pegaram pelo grupo de Merced António Melo e João Vitorino ambos ao primeiro intento e com o grupo coeso nas ajudas.
No final foram entregues os prémios de melhor lide a cavalo e melhor pega.
Melhor lide a Cavalo: Joaquim Brito Paes (segundo toiro da corrida)
Melhor Pega: João Vitorino (sexto toiro da corrida)
Dirigiu a corrida Leandro Pires assessorado pelo médico Veterinário José Paulo Lima

 

Texto por: Manuel Pires
Fotografia por: Paulo Pires

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