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Ismael Martin: Nome maior

Encaixada entre as Sanjoaninas e as Festas da Praia, esta novilhada faz de charneira entre os dois grandes momentos taurinos da Terceira. Basta olhar para o cartaz para perceber que caberia, sem qualquer favor, em qualquer dessas festividades. O espetáculo confirmou-o: viu-se toureio verdadeiro, perante hastados que, em determinados passos, consentiram luzimento. E a verdade é que a meia casa forte que acorreu à Praça de toiros insular não deu por perdida a tarde.

O triunfo foi de Ismael Martín. O salmantino chegou à ilha precedido de uma folha de êxitos já reconhecida no meio taurino — e correspondeu. Abreviado com o capote, deixou ainda assim marcas de temple em parões e verónicas. Ao Rego Botelho, teve bons momentos. A altura maior chegaria, contudo, diante do exemplar da Casa Agrícola José Albino Fernandes. Sobre a mão direita, Martín compôs séries de lentidão, leveza e profundidade com a flanela rubra, acoplando-se ao oponente da divisa verde e vermelha até lhe extrair o último recurso. Os aplausos foram entusiásticos, prolongando-se pelos pares de bandarilhas que colocou, com notável desenvoltura, aos dois oponentes.

Miguel Moura reclama identidade própria. Ambicioso, com ideias firmes o cavalo e o toiro, e atribuindo particular relevo ao momento da reunião, abriu praça frente a um João Gaspar que cumpriu. Ferro à porta gaiola, brega bem desenhada, ligação evidente com o público e a escola de família à mostra na leitura dos terrenos. Na segunda saída, subiu vários patamares: perante um Rego Botelho, atuou como lidador intencional e pleno, aproveitando o oponente onde a investida se mostrava mais franca. Fechou com um Ferro de Palmo bem colocado, numa das atuações a cavalo mais sérias que a Ilha Terceira presenciou em 2026 até à data.

António Prates apresentou-se pela primeira vez na ilha com um toureio variado, marcado pela emoção e pela alegria. Ao José Albino Fernandes, foi contendo os nervos da estreia e crescendo em discernimento, tirando partido do jogo impetuoso e do pouco a mais que o cornúpeto ainda concedia. No sobrero de João Gaspar, saído em sexto lugar entregou-se sem reservas, numa lide de altos e baixos.

Nas pegas, o Grupo de Forcados Amadores de Lisboa e os Amadores do Ramo Grande responderam com competência, perante hastados de comportamentos distintos. Duarte Nascimento consumou à primeira, segurando uma viagem ensarilhada; José Batista fechou-se também ao primeiro intento, dedicando a pega aos anfitriões.

Pelo Ramo Grande, Pedro Pereira resolveu bem à primeira tentativa. Gonçalo Batista, que havia brindado aos Amadores de Lisboa, saiu magoado após três investidas, coube a Rui Dinis, cabo do Grupo, arrumar a questão a sesgo, encerrando a noite.

Texto por : João Rodriguês
Fotografia por : Daniel Nogueira

 

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