Muitas vezes nós os aficionados aos touros somos, por vós anti-taurinos, rotulados de bárbaros, pouco sensíveis e nada civilizados. Normalmente deixamos passar e pensamos que simplesmente não enfiamos um barrete que na verdade não nos serve.
Nos últimos dias o país estremeceu de comoção com o acidente de um carro conduzido pela neta de um toureiro, filha de um toureiro, irmã de um toureiro, sobrinha de um toureiro, prima de vários toureios… mulher de um forcado, MÃE de cinco CRIANÇAS.
Quando todos os aficionados, e não só, tínhamos um nó na garganta só de imaginar a dor desta família e o sofrimento desta Mãe, e das mais diversas formas foram surgindo manifestações de apoio, orações e palavras de encorajamento, somos surpreendidos com comentários de anti-taurinos que consideram que a morte de um bebé de dois meses é uma consequência natural como castigo da actividade profissional da família em que nasceu. Rotulam o acidente como a tempestade colhida por quem semeou ventos. Banalizam, e até se regozijam que cinco crianças tenham um acidente grave por serem da família que são…. e outras tantas barbaridades que, confesso, não tive coragem de ler até ao fim….
As mesmas pessoas que me apelidam de pouco sensível por ir aos touros, não são habitadas por uma única gota de sensibilidade no momento de olhar para um acidente com uma Mãe e cinco crianças …
As mesmas pessoas que querem sinalética em Lisboa para evacuar gatos em caso de sismos, não dão um único sinal de humanidade perante o sofrimento que abala para sempre esta Mãe …
As mesmas pessoas que lutam no parlamento para que seja lei o dia de luto para quem perde um animal de estimação, não têm um pingo de respeito pelo luto desta família…
Haja decência e alguma faculdade de sentir.
Se não sabem sentir com humanidade, porque estão já todos atrofiados pela constante inversão de valores a que estão sujeitos por manipulação, tenham pelo menos respeito.
Se não sabem rezar, porque se sentem tão altivos que crer em algo superior vos limita, fiquem em silêncio.
Se não estão capacitados para a empatia, porque o treino para um altruísmo bacoco vos tornou absolutamente egoístas, fiquem quietos no vosso canto.
Porque nada nem ninguém vos vais perdoar essas palavras que só gente mal formada pode dirigir a uma família que está no sofrimento em que a Ribeiro Telles Caldeira está.
Não precisam do nosso perdão? Acredito que vivam bem sem ele. Mas também existem instâncias terrenas onde as blasfémias e a difamação são julgadas!
Fernanda Maria Mouzinho






