Vivemos tempos difíceis para a tauromaquia!
Fazendo minhas as palavras do grande aficionado praticante (como ele se definia), escritor
e pintor que marcou uma época do toureio de seu nome António Araújo: “PEDRITO O
GRANDE – publicou o jornal “A Capital” no dia 6 de Janeiro de 1997 a notícia da apoteótica
tarde de Pedrito de Portugal na Monumental do México perante cinquenta mil espectadores,
cortando quatro orelhas e saindo da praça aos ombros de um público em delírio.
Triunfalmente, foi levado pela avenida de Insurgientes abaixo num percurso de quatro
quilómetros da praça ao centro da capital mexicana.”
Como está longe no tempo esta afirmação, feita no apogeu do toureio naquele País e na
maior praça de toiros do mundo em que se viveram verdadeiras tardes de glória, da
situação que lá se vive neste momento fruto da ignorância, e de um fanatismo antitaurino
pleno de intolerância face à cultura taurina.
Nos últimos tempos assistimos naquele País a um ataque desenfreado contra tudo o que
representa tradição hispânica, sob a capa do anti-colonialismo e da negação de tudo o que
os liga através do toureio á Península Ibérica.
Num País em que a violência impera, em que o narcotráfico assentou arraiais e destroça
famílias, e em que nas palavras do consagrado escritor Arturo Pérez-Reverte, que tão bem
conhece a realidade mexicana “ a vida não vale nada”, o problema são as corridas de toiros.
Assim, e visando acabar com elas os poderes regionais e nacionais dos Estados Unidos da
República do México, resolveram purificá-las suavizando através de um mero simulacro de
arte, a lide do toiro, proibindo a sorte de varas, as banderillas e a própria morte do animal,
recuperando e aplicando no fundo as velhas artes inquisitoriais, para quem os seres
humanos nada valiam.
A intolerância em detrimento da liberdade de gostar da tauromaquia genuína, o poder
mostra a sua verdadeira face.
Estes ataques e acções contra a tauromaquia baseiam-se numa agenda proibicionista
internacional orquestrada pelos animalistas, e com financiamentos avultados.
Estes são os objectivos do Partido Morena no poder e da Presidente Cláudia Scheibaum
para fazer esquecer os males da Pátria mexicana, até á aniquilação total do toureio em
terras mexicanas.
Sendo a república mexicana formada por 32 estados, muitos deles de tradição e
implantação taurina assumida como México, Aguascalientes ,Querétaro, Guanajato,
Zacatecas, Tlaxcala, Hidalgo, Colima, Nayarit e Nuevo León, onde a economia del toro tem
muito peso e é uma realidade através da criação do toiro bravo com inúmeras ganadarias e
com a protecção dos ecossistemas naturais gerando mais valias para aquelas regiões. A
estratégia montada com evidentes contornos maquiavélicos apostou através de Iniciativas
Legislativas, Providências Cautelares e Processos Jurídicos, conseguindo depois de muitas
tentativas que o Congresso do estado e cidade do México aprovasse a famigerada Lei das
corridas de toros sin violencia, sendo expressiva e sintomática a votação com 61 votos a
seu favor e 1 contra. Este é o rastilho que se vai propagar a outros estados facilitando uma
Lei de âmbito nacional que num futuro próximo acabe com a tauromaquia tal como hoje a
conhecemos, e precipite o seu final.
E os aficionados, os que lucram com as corridas, aqueles que vivem do toiro e são muitas
centenas de milhares, a tão falada economia do toiro, o que fazem?
Conformam-se assistindo passivamente ao declínio anunciado, manifestam-se
envergonhadamente e deixam-se derrotar assim por um poder arrogante, insensível à
realidade cultural que representa a tauromaquia!
Péssimo exemplo, que se vingar na sua totalidade na terra mexicana alastrará com toda a
certeza por outros países taurinos, ou que respeitam as tradições de algumas das suas
regiões.
Claudicamos… quando é nosso dever defender a nobre arte da tauromaquia?
Dizia há pouco o matador de toiros mexicano Isaac Fonseca, um valente no ruedo e um
expoente do toureio mexicano, que achava curioso que sendo o lema do Governo da
”señora Presidenta” Claudia Scheibaum Pardo “ Proibido proibir”, acabasse por assumir
essa posição proibicionista negando tudo aquilo que tinha prometido em campanha eleitoral
e quando assumiu o poder.
É normal a falta de ética e verticalidade destes políticos que renegam as suas afirmações
com tal de atingir os seus objectivos, adoptando isso sim e visando esquecer os reais e
gravíssimos problemas de segurança, violência e narcotráfico que o País enfrenta, a
máxima de dividir para reinar!
Dr. António Tereno

Ao contrario do título, unidos e de mãos dadas, somos muito mais fortes.






