Como tem sido habitual, desde 2006 creio, de forma quase ininterrupta até à actualidade, o bem fazer das gentes da Terceira quando teimam em levar a cabo no tempo e na qualidade algo ao que no âmbito taurino se refere, dão cartas e bem dadas. É uma demonstração inequívoca de que o Toiro move estes Ilhéus e se concretiza algo que se pode dizer, no mínimo peculiar e digno de registo pelo aficionado e não só.
Caso prático do que aqui se faz referência, é o serial de tentaderos públicos, comentados, versáteis, ao ponto de incluir arraiais taurinos (ano sim, ano não) que tornam a Festa ainda mais especial na qualidade e dimensão. São um ciclo onde o ganadero partilha os seus animais, o toureiro a sua técnica e o aficionado aprende um pouco mais dos mistérios da seleção deste belo animal que é o Toiro Bravo.
Eis que 2025 entrou molhado, e Abril águas, que um dos ganaderos durante um jantar explicou o que aí viria ainda, associado aos ciclos lunares e os almanaques de Borda D’Água. Entre granizo, chuva, ventos de temporal se realizou o ciclo de tentas deste 2025. Esaú Fernandez, Filiberto e João Diogo Fera foram os três matadores encarregados de provar em laboratório as misturas que os ganaderos têem vindo cruzando reatas, familias, novos sementais com a ilusão, ideal de investidas e formas anatómicas a seu gosto.
Sempre com o barómetro da casta como é o Tércio de Varas, levado a preceito por Antonio Peralta e Vítor Cabaço, entre os de pé e os de cavalo, os ganaderos tiravam as suas notas de acordo com o que buscam.
Desde a ganadaria RB, levando sangue Jandilla já com gotas mais recentes de Calejo Pires, via Cuvillo com 12 novilhas entre negras e jaboneras e ainda um semental aprovado em varas de nome “Pegajoso”,
A Casa Agrícola José Albino Fernandes, envergando sangue de Falé Filipe e mais recentemente com produtos já de Santiago Domecq procuram dentro de um encaste semelhante ao ganadero anterior, mas com matizes distintas, mas com 15 animais que provaram que o ganadeiro e suas filhas estão num bom caminho no rumo que toma.
Fechou o ciclo João Gaspar que com as suas 8 “murubeñas” demonstrou manter o nível dos últimos anos.
No geral nota-se um campo bravo açoriano mais aprimorado, mais fino, mais toureiro.
São dias de muito crescimento, aprendizagem, fazendo gala de que todos os intervenientes, sejam ganaderos, pastores, toureiros, picadores, aficionado estejam em permanente contacto em permuta de experiências, pontos de vista técnicos e zootécnicos até, onde todos se sentam à mesma mesa, donde o Toiro está à cabeceira.
Texto por João Pedro Açoriano
Fotografia por Paulo Pires