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A porta aberta de cultura.

A beleza dos Açores encontra-se com a força das tradições numa celebração única de
bravura, elegância e cultura: o Festival Taurino da Ilha Terceira.
Este ano, a emblemática Praça de Toiros da Ilha Terceira abre as suas portas no dia 23 de maio, às 20h30, para acolher o primeiro espetáculo taurino nos Açores da temporada de
2025, prometendo trazer de novo as emoções da tauromaquia à sua arena.
Promovido pela Escola de Equitação e Toureio Terceirense e organizado pelo GFATTT, o evento conta com um cartaz de luxo, reunindo alguns dos nomes mais jovens da tauromaquia a cavalo e destacando a força dos forcados amadores e das mais variadas ganadarias açorianas.
No centro das atenções estarão três cavaleiros distintos que representam diferentes
gerações e estilos do toureio equestre. Tiago Pamplona, natural da Ilha Terceira, é
uma figura consolidada da tauromaquia, com uma carreira marcada pelo respeito à
tradição e pelo estilo clássico que o distingue.
Recebeu a alternativa em 2006 em Angra do Heroísmo, tendo como padrinho Joaquim Bastinhas, numa cerimónia que espelhou a continuidade da linhagem Pamplona. João Pamplona, seu irmão, é igualmente herdeiro desta dinastia taurina terceirense.
Tomou a alternativa em 2013 na Feira de São João, na Praça de Angra do Heroísmo, numa cerimónia emotiva em que recebeu o ferro comprido das mãos do irmão Tiago, com a autorização de João Salgueiro. A sua elegância e irreverência têm vindo a conquistar espaço próprio nopanorama taurino.
Diogo Oliveira representa a nova vaga de cavaleiros Jovens, mas já detentor de um
currículo notável, destaca-se pelo título de Campeão Europeu de Equitação de
Trabalho. Com 25 anos, este cavaleiro bucelense recebeu a alternativa como
profissional na passada Feira de Outubro, numa cerimónia simbólica que marcou o
encerramento da carreira do consagrado Rui Salvador, seu padrinho de alternativa.
Diogo mostra-se preparado, determinado e com um estilo próprio que funde o clássico
com um toque de modernidade. Apoiado por uma quadra em crescimento e com
cavalos como Orpheu e Chapitô, Diogo promete agradar o público terceirense com a
sua entrega e talento natural.
A emoção será também protagonizada pelos Forcados Amadores da Tertúlia
Tauromáquica Terceirense, um grupo fundado em 1973 e com uma história rica de
atuações em Portugal Continental, México, Estados Unidos e Canadá. Liderados
atualmente por João Pedro Ávila, que passará o testemunho a Bernardo Belerique, os
forcados são conhecidos pela bravura, técnica e espírito de grupo.
O momento da pega é sempre um dos mais esperados da noite, onde o risco e a coragem se cruzam com a tradição e o respeito pelo toiro bravo.
O Festival Taurino contará com toiros provenientes de ganadarias açorianas: Rego
Botelho, C.A. José Albino Fernandes, Herds. Ezequiel Rodrigues, João Gaspar e
Dédalo Ribeiro da Silva. Estas casas dedicam-se à preservação do toiro bravo e à
valorização da identidade taurina regional, assegurando que o espetáculo decorra com
animais à altura do desafio.
Este evento vai muito além da competição ou do espetáculo.
É um encontro cultural onde famílias inteiras se reúnem para partilhar histórias, emoções e tradições que passam de geração em geração. O ambiente vibrante da Praça de Toiros da Ilha Terceira, ao som da Filarmónica da Sociedade Musical e Recreio da Terra-Chã,
compõe o cenário perfeito para uma noite memorável.
É de salientar a importância que eventos como este têm na formação de novos
públicos. A participação de jovens cavaleiros e de grupos de forcados em renovação
revela a vitalidade do movimento taurino nos Açores. A continuidade desta tradição
depende, em grande parte, do entusiasmo e da formação das gerações mais novas.
Iniciativas como esta promovem o gosto pela arte de tourear e o respeito pelas suas
raízes.
O apoio institucional e o envolvimento de entidades como a Câmara Municipal de
Angra do Heroísmo, bem como o papel das tertúlias taurinas e dos promotores locais,
são fundamentais para que este tipo de espetáculos continue a ter lugar. A cultura
taurina é uma expressão legítima da diversidade cultural portuguesa, e nos Açores
assume contornos muito próprios, com um sabor insular e uma ligação profunda à
terra e às suas gentes.
O público que, se espera, encha a Monumental da Ilha Terceira vive cada momento
com intensidade, reconhecendo o esforço e a entrega de cavaleiros, forcados e
criadores.
O ambiente é único, marcado por uma comunhão entre arte e natureza, entre homem e animal, entre tradição e modernidade. E é precisamente essa fusão que faz da tauromaquia um espetáculo tão singular quanto apaixonante.
Assim, o Festival Taurino da Ilha Terceira não é apenas uma data no calendário.
É um marco de cultura, uma afirmação de identidade e uma experiência que se vive com
todos os sentidos.
A cada ferro cravado, a cada pega consumada, a cada aplauso sentido, renova-se a alma desta tradição secular. E que assim continue, geração após geração, com o mesmo entusiasmo, respeito e paixão.
Num mundo em constante mudança, onde as tradições muitas vezes são postas em
causa, a tauromaquia permanece como um bastião da memória coletiva e do património cultural.
Em especial nas regiões insulares como os Açores, onde as raízes se entrelaçam com o mar e a terra, manter vivas estas manifestações culturais é um ato de resistência identitária.
O Festival Taurino da Ilha Terceira simboliza essa resistência e, ao mesmo tempo, uma celebração daquilo que nos torna únicos enquanto povo.
Não se trata apenas de um espetáculo.
Trata-se de uma narrativa contínua que se escreve em cada faena, em cada entrada de cavalo na arena, em cada olhar entre forcado e toiro, em cada aplauso que ecoa das bancadas.
É a transmissão de um saber, de uma sensibilidade e de um modo de estar na vida.
É a fusão entre o homem e a natureza, entre a arte e o instinto, entre a razão e a emoção.
É importante sublinhar que, para além do entretenimento, a tauromaquia cumpre
também um papel educativo e cultural.
Ensina valores como a coragem, o respeito, a disciplina e a entrega. Cria laços entre comunidades, reforça a coesão social e dá palco a talentos locais.
Os cavaleiros e os forcados não são apenas artistas ou atletas
— são embaixadores de um legado, guardiões de uma arte que se reinventa a cada
geração.
No caso específico dos Açores, há ainda uma dimensão comunitária profunda.
A preparação para um espetáculo taurino mobiliza dezenas de pessoas, desde os
tratadores de cavalos aos músicos, passando pelos comerciantes e pelos voluntários
das tertúlias.
Cada detalhe é cuidadosamente planeado para proporcionar ao público
uma experiência inesquecível.
É precisamente essa dedicação que transforma um simples espetáculo num verdadeiro acontecimento social.
Por isso, quando no próximo dia 23 de maio os clarins anunciarem a entrada do
primeiro cavaleiro na arena da Praça de Toiros da Ilha Terceira, não será apenas o
início de mais um espetáculo taurino. Será o renascer de uma paixão partilhada, o
pulsar de uma cultura que continua viva, vibrante e profundamente enraizada no
coração dos açorianos.
A todos os que sentem a festa brava como sua, este é o momento de celebrar.
A todos os que ainda não conhecem a força da tauromaquia açoriana, este é o convite ideal
para descobrir um universo fascinante.
O Festival Taurino é, em última análise, uma homenagem — à arte, ao povo, à terra e à história. E como tal, merece ser vivido com intensidade, emoção e orgulho.

Texto por: José Paulo Lima
Fotografia Por: Paulo Gil e Pintar Com Luz

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