Três anos depois as emoções da tauromaquia erudita voltaram a S. Jorge!
O ambiente festivo, pleno de gente nas ruas das Velas, teve repercussão na praça de toiros do Monte da Ajuda, com uma multidão que encheu as bancadas e se divertiu com o que se passou na arena.
Numa organização da Tertúlia Tauromáquica Jorgense, correram-se toiros do ganadero local Álvaro Amarante, que se diga de passagem, é o verdadeiro obreiro por se manter a aficion em S. Jorge. O curro teve idade, peso e trapio, destacando-se o segundo toiro lidado por David Gomes, o terceiro pelo matador Diogo Peseiro e o 5º da ordem lidado por João Salgueiro da Costa.
Nesta corrida destacaria 4 apontamentos: a lide plena de intenção, boa equitação, pisando terrenos de compromisso, com viagem de frente e reuniões ao estribo de Salgueiro da Costa ao quinto toiro da corrida; a valentia e disposição de Diogo Peseiro a um bonito terceiro toiro, com 3º par de bandarilhas de muito valor; a atuação consistente e asseada de David Gomes nos seus dois toiros com distintos comportamentos e a extraordinária pega de Pedro Ferreira, do grupo de forcados amadores do Ramo Grande que pôs a praça de pé.
Uma corrida com bons momentos, onde o matador de toiros português sobressaiu pela sua capacidade aos dois toiros que lidou sacando meritória faena ao seu primeiro, terceiro da corrida. No segundo sem recorrido a porfia foi menos intensa, mas nós aficionados guardamos os dois pares de bandarilhas executados por João Pedro Silva “Açoriano”, frente a um toiro com pouca mobilidade e que entendeu rápido as trajetórias de saída do bandarilheiro da Ilha Terceira. O segundo par foi puro e pleno de verdade, um dos momentos de destaque da corrida.
Nas lides a cavalo João Salgueiro da Costa demonstrou porque é um dos cavaleiros com conceito mais verdadeiro do escalafon português, esteve diligente nos dois toiros, alcançando na segunda lide momentos que prenderam a atenção das bancadas.
David Gomes esteve cumpridor e com bom toureio nos seus dois toiros, compenetrado e a deixar bom ambiente na Ilha das Fajãs. A sua lide ao 6º toiro acabou em bom tom. Exímio na brega e com forte conexão com o público.
Pela forcadagem o cabo da T.T.T. abriu praça fechando-se à 3º tentativa. Francisco Matos do mesmo grupo fechou-se também à 3ª. Pelos homens do Ramo Grande além de Pedro Pereira com a pega da tarde ao sexto toiro, no primeiro intento, iniciou o cabo Rui Dinis ao 2º toiro, fechando-se à 4ª tentativa.
O destaque negativo vai para o piso solto e mole da arena jorgense, que compromete o desempenho de matador e forcados, além de condicionar a mobilidade dos toiros. Certamente este problema será corrigido pela dinâmica direção da Tertúlia Tauromáquica Jorgense.
Numa das praças com a melhor vista das que se conhecem para o canal marítimo cartaz dos Açores, abraçado pelo Pico e Faial, decorreu um festejo taurino com muito que contar.
Texto e Fotografia por: Paulo Pires






