Há terras que organizam festas. E há terras que vivem tradições. Azambuja pertence a estas últimas.
Quando chega a Feira de Maio, o coração do Ribatejo bate mais forte. O Largo do Município enche-se de gente, de expectativa e de orgulho. Chegam os campinos, chegam os cavaleiros amadores, chegam os homens do campo que carregam nos ombros séculos de história. Não vêm apenas participar nas provas de cabrestos, nos bois da guia ou nas provas de perícia. Vêm afirmar uma identidade que continua viva.
O campino aguarda a sua vez. Sereno. Conhecedor. O olhar percorre os cabrestos que cheiram a terra molhada, ao trabalho e à lezíria. Escutam-se os chocalhos, o ranger das selas, o tilintar das esporas. Cada som parece contar uma história antiga, passada de geração em geração.
Daqui a pouco será hora de entrar na prova. Mais tarde, de ajudar na recolha do toiro após a largada pelas ruas da vila. São momentos que exigem saber, coragem e respeito pelo animal. Saberes que não se aprendem nos livros, mas sim na convivência diária com o campo e com o gado bravo.
Nas ruas, as varandas engalanadas recordam que a festa é de todos. Famílias inteiras assistem ao desfile das tradições. O folclore marca presença, dando voz às modas e aos cantares que contam a história de um povo que nunca esqueceu as suas raízes.
Num canto, um velho cartaz de uma corrida de toiros transporta-nos para outros tempos. Rostos de grandes figuras do toureio surgem impressos no papel amarelecido pelo tempo. Homens que fizeram história e que permanecem vivos na memória coletiva de quem ama esta cultura.
Ao lado, uma farda de campino. Mais além, os ferros das ganadarias. Objetos simples para quem os vê pela primeira vez, mas verdadeiros símbolos para quem conhece o significado da palavra Ribatejo.
Porque o campino não é apenas uma figura da festa. É um guardião de costumes, de valores e de uma forma de estar na vida. Representa a ligação à terra, ao trabalho, à palavra dada e ao respeito pelas tradições.
E enquanto houver um campino de vara ao ombro, um chocalho a ecoar na lezíria, um cavalo a trote pelas ruas de Azambuja e um povo orgulhoso das suas raízes, o Ribatejo continuará a ter alma.
Azambuja não celebra apenas uma feira. Celebra aquilo que é. E aquilo que nunca deixará de ser.
Texto e fotografia por: Nuno Neves






